Sobre a Dra. Thais Pereda
Quase ninguém perde a autonomia de um dia para o outro.
O que acontece com mais frequência é outra coisa: uma sequência longa de acomodações pequenas. O sono piorou e a pessoa se acostumou. O exercício parou e não voltou. Alguns quilos, alguns exames alterados que ficaram para depois, uma dor no joelho que virou parte da rotina. Cada uma dessas coisas parece pequena sozinha, e é. Somadas ao longo de vinte anos, elas empurram uma pessoa até um limiar em que a autonomia deixa de se sustentar.
Do outro lado desse limiar, o custo não é só clínico. É precisar de ajuda para o que sempre se fez sozinha. É se afastar do que dava sentido aos dias. É começar a se enxergar como um peso para quem se ama.
Trabalho para adiar esse ponto o máximo possível. Não posso prometer que ele nunca chegue, porque não controlamos tudo. Posso trabalhar para que chegue o mais tarde possível, e para que o caminho até lá seja vivido inteiro, com lucidez, autonomia e propósito.
A trajetória
Como cheguei até aqui.
Me formei na Faculdade de Medicina da USP e fiz residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas. Depois disso houve uma pausa de alguns anos na minha prática, dedicada à maternidade. Nesse período, estive do outro lado da relação, como paciente, mais vezes do que esperava.
Aprendi ali algo que a residência não ensina: o quanto ser paciente é uma posição de fragilidade, e o quanto muda quando alguém trata você como pessoa inteira em vez de problema a ser resolvido. A diferença entre um médico que faz isso e um que não faz não aparece no diagnóstico. Aparece em como você atravessa o processo, e no que sobra de você depois.
Voltei para a prática querendo ser o tipo de médica que trata a pessoa inteira, com as prioridades e a história que ela traz, e não o problema que ela apresenta naquele dia. E querendo fazer isso antes, enquanto ainda há muito a preservar.
A escolha da clínica médica
Por que uma clínica, e não uma coleção de especialistas.
As subespecialidades resolvem problemas pontuais muito bem. O endocrinologista cuida da obesidade, o neurologista do Parkinson, o cardiologista da hipertensão. Mas os problemas não acontecem em compartimentos separados. Acontecem em um corpo só.
O objetivo pode ser o mesmo para os quatro. O caminho até ele não é, porque a fisiologia de cada um não é.
- Uma pessoa com obesidade que quer começar a se exercitar
- Alguém com doença renal crônica
- Um homem jovem sem comorbidades
- Uma mulher com lúpus, em uso crônico de corticoide
Clínica médica é a especialidade que se ocupa exatamente disso: entender a doença no nível do mecanismo e manejar várias ao mesmo tempo, em uma pessoa só. É daí que sai qualquer plano que eu proponha.
Na consulta
Como as decisões são tomadas.
Meu trabalho na consulta é abrir o leque. Apresentar as melhores estratégias disponíveis para o seu caso, deixando claro o que a evidência sustenta e o que ela ainda não sustenta, e alinhá-las ao que importa para você. A partir daí, decidimos juntos qual percurso trilhar.
Isso não é gentileza, é técnica. Um plano que ignora as prioridades de quem vai cumpri-lo pode estar tecnicamente correto e ainda assim não sair do papel. E um plano que não se cumpre não trata ninguém.
Por coerência
O que eu não faço.
Não faço procedimentos. Não vendo pacotes de exames, e solicito apenas o que muda alguma conduta. Não prescrevo o que está na moda antes de entender por que funcionaria no seu corpo, e às vezes a resposta honesta é que não funcionaria.
Isso custa algumas conversas em que eu digo não. Mas cada intervenção sem coerência biológica cobra um preço em dinheiro, em tempo e, o mais caro de todos, na janela em que um tratamento de eficácia comprovada teria feito diferença.
O próximo passo
Se isso faz sentido para você.
Vale entender como o acompanhamento funciona na prática: quanto dura a primeira conversa, com que frequência nos vemos depois e o que acontece entre uma consulta e outra.