Por que o sono desanda
O sono depende de dois sistemas que precisam andar juntos. Um é o cansaço que se acumula ao longo do dia. O outro é o relógio biológico, que usa a luz, os horários e a rotina para saber quando é hora de dormir. Telas à noite, horários irregulares, café tarde e estresse bagunçam essa sincronia.
Com o tempo, a própria cama pode virar lugar de alerta: quanto mais a pessoa se esforça para dormir, menos consegue. É assim que uma fase difícil vira insônia crônica. Às vezes, o problema é outro: ronco com pausas na respiração, refluxo, dor, alterações hormonais ou efeito de algum medicamento.
Como eu acompanho
A primeira consulta é uma avaliação completa. Em 90 minutos, presencialmente, investigamos como é o seu sono, a sua rotina, o estresse, os medicamentos em uso e outras condições de saúde que podem estar envolvidas. Se você usa relógio ou anel que mede o sono, trazemos esses dados para a conversa, sabendo o que eles conseguem e o que não conseguem medir. Quando há suspeita de apneia do sono ou de outro distúrbio, peço os exames adequados.
Depois, montamos o plano juntos. Ajusto com você horários, rotina e ambiente do sono, e trato as condições de saúde que estiverem atrapalhando. Quando a insônia é crônica, o tratamento de primeira linha não é um remédio: é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). Nesses casos, encaminho para uma psicóloga com essa formação e acompanho o processo em conjunto.
E o acompanhamento segue o seu ritmo. As consultas de retorno acontecem com a frequência que o seu momento pede, presencialmente ou por telemedicina. Entre elas, você conta com um canal comigo pelo WhatsApp para dúvidas e ajustes, e combinamos juntos o nível de contato que faz sentido para você. Quando há indicação, conversamos sobre medicamentos, sempre como parte do plano.
Quando procurar acompanhamento médico
- Você tem dificuldade para pegar no sono ou para manter o sono três ou mais noites por semana, há pelo menos três meses.
- Você acorda cansado mesmo dormindo horas suficientes, ou sente sono durante o dia.
- Alguém já percebeu que você ronca alto ou para de respirar enquanto dorme.
- Você usa remédio para dormir há muito tempo e gostaria de reduzir ou parar.
- O sono ruim está afetando o seu humor, o trabalho ou a sua relação com a comida.
Perguntas frequentes
Você receita remédio para dormir?
Quando há indicação, sim, mas como parte do tratamento e, em geral, por tempo limitado. Muitos remédios para dormir perdem efeito com o uso contínuo e podem causar dependência. O foco é tratar o que está por trás da insônia.
Dá para tratar insônia sem remédio?
Na maioria dos casos, sim. A TCC-I, conduzida por profissional com formação específica, é o tratamento recomendado como primeira escolha para a insônia crônica e costuma ter efeito mais duradouro do que a medicação. Eu faço o encaminhamento e sigo acompanhando a parte clínica.
Uso remédio para dormir há anos. Consigo parar?
Muitas vezes, sim, com redução gradual e acompanhamento. Nunca interrompa por conta própria: alguns medicamentos precisam de retirada lenta para evitar efeito rebote e sintomas de abstinência.
Melatonina resolve?
Não costumo indicar melatonina para insônia crônica, porque o efeito nesses casos é pequeno. Ela tem papel em algumas situações específicas do relógio biológico, mas o ideal é avaliar o seu caso antes de usar.
Preciso fazer exame do sono?
Nem sempre. A polissonografia é indicada quando há suspeita de apneia do sono ou de outros distúrbios. A avaliação clínica define se você precisa.
Atende convênio?
O atendimento é particular. Emito nota fiscal de todas as consultas, e a possibilidade de reembolso depende do contrato do seu plano.